Mortes para Demián Calixto
Eram duas da manhã e Demián Calixto ainda caminhava pelas ruas de Palermo, Sicília. Não entendia porque tinha pressa, só sabia que voltara a si quando já se locomovia nervosamente sobre a calçada. Passava por becos que não conhecia, mas instintivamente sabia por quais vielas devia entrar. Estava em mangas de camisa, o vento morno soprava desde o Mediterrâneo que ficava a poucas quadras dali. Aos poucos, sua respiração recobrava o ritmo normal, e instantes vagos se revelam em sua memória ao passar em frente a uma peixaria com seu odor característico.
Quando um par de faróis se acendeu e começou a avançar em sua direção, Demián Calixto lembrou-se do que fazia em Palermo. Mas já era tarde demais.
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Demián Calixto estava sentado sobre uma cadeira de balanço. Mirava o campo, mar verde infinito, horizonte a fugir da vista. Era agosto, ele agora era velho e observava uma fazenda em Mendoza. Seria sua aquela terra? O que aconteceu com a Ibéria, Córdoba, Porto Alegre, Palermo? Onde estava seu amigo Martín? Onde estavam sua mulher, seu filho, sua amante? Estava cansado de sonhar dentro de sonhos e não ter sua vida de volta. Tinha saudades daquilo de que nem lembrava mais. Sentia frio e a solidão trouxe lágrimas aos seus olhos.
O vento frio o atingiu e ele estremeceu, como que antevendo o próximo sonho. Respirou fundo, e suas mãos endurecidas cerraram-se de vez, parando lágrimas, olhos e coração.